LENDAS DO GAROU
TRADIÇÕES SAGRADAS PARTE 1
O lobo tinha vindo buscá-lo novamente. Brian sabia que
desta vez não conseguiria escapar. A fera já estava na casa,
e chegando ao quarto. Brian desceu correndo as escadas,
rasgando o pijama no vão da porta. Suas mãos estavam cobertas
de sangue, mas ele não entendia o motivo.
Atravessou o quintal, cruzou o portão, entrou na mata.
Continuou correndo, a respiração exalando baforadas no ar
noturno. O vento estava frio, e a floresta, traiçoeira e escura.
O impacto de seus pés no solo rachava raízes enregeladas;
espinhos laceravam suas roupas.
O lobo se aproximava. Sabia que desta vez alcançaria
Brian todas as outras perseguições tinham sido apenas
em sonhos, mas esta era verdadeira. Brian olhou por cima
do ombro e compreendeu o que significava a espuma nos
dentes da fera. Estava faminta. Podia ler nos olhos dela a
ânsia por sua carne.
Em algum lugar à frente, um uivo rompeu o silêncio da
floresta. Uma meia lua apareceu por trás das nuvens, avultando-
se sobre o rapaz e derramando sua luz na neve. Patas
de lobo produziam sons surdos à medida que avançavam. O
que foi aquilo adiante? Uma silhueta branca cortando a
negritude? Escuridão. Olhos de lobo?
Brian virou-se quando o lobo saltou sobre ele. Patas pesadas
pousaram sobre seu peito, mas não lhe rasgaram a
pele. Caiu para trás, o ar abandonando-lhe os pulmões. O
lobo permaneceu sobre ele, as enormes mandíbulas abertas.
Desesperado, Brian virou o pescoço repetidamente para um
lado e para o outro, procurando por ajuda.
O lobo mordeu-lhe o pescoço uma vez, suavemente, e
em seguida outra, com mais força. Presas perfuraram sua
pele. Sangrando, Brian começou a choramingar.
O lobo largou o pescoço de Brian e fitou profundamente
seus olhos.
- Você veio... ele disse, reconhecendo Brian pela primeira
vez.
Brian acordou. Um suor frio encharcava o cobertor antigo
que o cobria. Ainda estava com as calças do pijama,
mas a blusa ensangüentada tinha sumido. Um arrepio o atravessou,
e ele percebeu o frio que fazia. Estava deitado numa
espécie de prateleira. Baixando os olhos, viu um velho índio
agachado, abastecendo um fogão a lenha. As longas tranças
do homem eram de um branco acizentado, e embora ele
parecesse muito velho, movia-se com uma agilidade incomum.
Cepos de carvalho ardiam no fogão, crepitando à
medida que as chamas tocavam a seiva. Alguma coisa cheirava
bem. Moveu os olhos pela cabana, vendo um teto de
madeira, paredes de tronco, panelas amontoadas e umas
janelas de vidro de estilo afetado. Nas paredes de tronco viu
muitos arranhões, como se um animal as houvesse usado
para afiar suas presas.
- Fiz panquecas. Desça, pequenino o velho disse.
Brian balançou a cabeça para despertar mais um pouco.
Empertigou-se na cama, apoiou os pés na escada maciça e
desceu. Coçando-se, encontrou uma pulga no pijama.
- Onde estamos? Eu... não lembro.
O velho pôs uma pilha de panquecas na mesa, e em
seguida uma panela de alguma coisa que cheirava a melaço
de bordo. Manteiga pura se derretia sobre a panqueca do
alto. Brian quase podia sentir seu gosto.
- Coma o velho ordenou, mantendo o rosto inexpressivo
enquanto pegou o bule na fogueira e serviu-se de café.
Brian olhou em volta, examinando a cabana. Agora percebia
que os arranhões nas paredes tinham sido entalhados
eram cutiladas artísticas, não os arranhões aleatórios de
um animal selvagem. Um único fio de fumaça coleava de
uma pequena tigela de barro, da qual pendia o crânio de
algum animalzinho. A fumaça emanava um odor forte de
sálvia. Brian sentou-se lentamente à mesa, ainda esfregando
os olhos. Nunca tinha estado naquela sala, mas ela era
estranhamente familiar.
Uma rajada de vento soprou através do fumeiro, e a cha-ma no fogão estalou por um segundo. A corrente atravessou a
sala, parecendo surpreender o velho. Inclinou a cabeça, como
se estivesse ouvindo alguma coisa ao longe e assentiu.
- Muito bem o velho disse. Veja se consegue esconder
o cheiro. Estou contando com você.
Outra rajada súbita moldou a fumaça do incenso em
espirais. E então o vento parou abruptamente.
O velho balançou a cabeça, sorrindo, e sentou-se à mesa.
Sua expressão tornou-se solene. Brian percebeu que confiava
no velho, e as panquecas pareciam gostosas demais para
serem recusadas. Pegando o garfo, avançou para a comida.
- A primeira vez é sempre difícil. Você não lembra o que
aconteceu ou onde está. Mas isto pode ser bom. Você passou
por um mau pedaço. Lembra o meu nome?
Brian negou com a cabeça e levou mais nacos de panquecas
amanteigadas à boca. Estava faminto. O velho não
pareceu incomodar-se com seus maus modos.
- Sou Morte-No-Fim. Este é o nome que recebi de meu
povo quando tinha a sua idade. Tem relação com a profecia
que fizeram a meu respeito quando nasci, de que eu estaria
vivo para ver o fim dos tempos. Minha família vive muito...
Mas o que importa, Brian, é que a partir de agora serei seu
guardião.
- Guardião? Pra quê? Tenho pais.
- Não estão aqui. E você não pode retornar até eles.
Você mudou, Brian.
- Como assim, mudei? E que história é essa de que não
posso voltar para meus pais?
- Você pertence ao povo-lobo, Brian. É um Garou. Um
metamorfo. Um lobisomem.
- Lobisomem? Você deve estar brincando!
O velho balançou a cabeça uma vez, enfaticamente.
- Não. Você é um Garou. Como eu.
Brian pousou o garfo.
- Você está louco, velho! disse, levantando-se.
Completamente doido. Onde estamos? Fui seqüestrado?
- Sente-se e termine seu desjejum, Brian.
Brian correu até a porta e a abriu. Defronte ao vão da
porta um enorme lobo negro descansava, parecendo à vontade
sobre a neve. Levantou-se quando Brian abriu a porta
e avançou para ele, rosnando.
- Brian, esta é Caçadora Implacável. Ela também gostaria
que você voltasse para a mesa e acabasse de comer.
Brian observou o lobo começar a se contorcer e mudar.
Seu corpo inchou, ficou maior. Um lobo gigante surgiu diante
dos olhos do rapaz. Lentamente adquiriu braços e pernas, tornando-
se um imenso homem-lobo. Por último, encolheu e
perdeu pêlos até se tornar uma mulher muito bonita.
- Pode me chamar de Kate ela disse com um sorriso.
Usava casaco de couro preto, calças jeans e um estranho
colar de chifre.
Kate correu para segurar Brian quando ele quase desmaiou,
e o levou de volta à mesa. Morte-No-Fim colocou
uma garrafa metálica à sua frente.
- Beba o velho mandou.
Brian tomou um gole generoso. O líquido que a garrafa
continha era azedo, mas só em bebê-lo Brian já sentiu-se
melhor.
- Tá, então sou um lobisomem. Ótimo. Bacana. Acho
que isso é o fim da minha vida social. Sabem como é, ter de
ficar trancado em noite de lua cheia...
Kate riu.
- Nada disso. A gente costuma mudar quando quer. Além
disso, no meu caso é Lua Nova. Você é do tipo de Meia
Lua, acho.
O velho assentiu com a cabeça.
- Tem razão, Caçadora. Brian é um Philodox, um guardião
das tradições sagradas. Esse é o motivo de ele estar aqui.
- Hein? O que isso significa? Brian perguntou, levando
a garrafa à boca e bebendo outro gole do líquido azedo.
Franziu o nariz enquanto engolia, mas a bebida acalmava-o,
dando-lhe uma sensação de bem-estar como há muito não
sentia. O velho tomou-lhe a garrafa, observando o rosto do
garoto. Não demonstrava qualquer sinal de lembrança.
Morte-no-Fim balançou a cabeça e disse, com tristeza
na voz:
- Não lembra? Passamos muitas noites em seus sonhos,
como estamos aqui agora, neste mesmo lugar, contando-lhe
a Sabedoria do Povo.
Brian balançou levemente a cabeça.
- Não... não consigo lembrar nada...
- Quando você nasceu a lua mostrava-se pela metade
no céu. A sua espécie é a mais adequada para guardar as
antigas tradições, o conhecimento dos hábitos e dos ritos
do Povo. Também sou um Guardião das Tradições do Povo.
Conheço os Registros Prateados. Se for preciso, ensinarei
tudo novamente a você.
- Avô, talvez o garoto se recorde de tudo se nós lhe contarmos
um pouco Kate opinou. Deve estar nervoso. Eu
mesma lembro pouca coisa de minha Primeira Mudança.
- O que são esses... Registros Prateados? O único registro
que conheço é de água Brian começava a ficar curioso.
- São registros do Povo... de todos os Garou, do mundo
inteiro. São representados pelos glifos esculpidos nestas paredes
o Velho apontou as marcas que Brian já tinha notado.
Este é um lugar espiritual, uma Cabana dos Registros
Prateados, e você está abençoado por se encontrar aqui.
- Bem, eu não entendo. Sabe, a meu ver estou... numa
cabana de madeira no meio da floresta. Como as que usávamos
ao caçar cervos. Olha, se o senhor me deixar sair para
telefonar para mamãe e papai, digo a eles que estou bem e
volto para ouvir as suas histórias. Que tal?
Kate sorriu para o velho, que não esboçou qualquer rea
ção. Uma nova brisa abanou as chamas do fogão, e em
seguida rodopiou em torno da cabeça de Morte-no-Fim. O
velho ouviu um pouco a brisa e depois respondeu-lhe:
- Entendo. Obrigado, Sussra. Está livre agora.
O velho voltou-se para Kate.
- Vá vigiar a divisa. Temos pouco tempo! Veja o que
pode fazer para retardá-los.
Sem dizer uma só palavra, Kate assentiu com a cabeça e
caminhou para a porta, batendo-a ao sair.
Voltando-se para o garoto, o velho falou num tom rude,
mas baixo:
- O seu pai nunca lhe ensinou a ouvir os mais velhos?
Ora, sou mais velho, e você vai me escutar! Senão solto você na neve e deixo que seja o desjejum da Wyrm!
Brian franziu a testa.
- Da.. o quê? Worm? Que é isso?
Uma frustração momentânea passou pelo rosto do velho,
seguida por um suspiro suave e um olhar calmo.
- Faz parte da história, mas não é toda ela. Deixe-me come
çar enquanto você come seu desjejum. Vê este glifo aqui?
É o primeiro Registro o mais antigo. É aquele que reza...
Dos primeiros filhos de Gaia,
Eu, a Fênix, sou a um só tempo primeira e última.
Testemunhei em Gaia o nascimento de Luna.
Observei-a crescer.
Refestelei-me em seu poder.
E nas fendas da terra vi
surgir Vida.
- O que é isso? Parece o Gênese do Antigo Testamento.
Quem escreveu esse Registro?
O velho sorriu.
- Não é exatamente como o Gênese, Brian. É a história
de nosso povo. O Registro tem sido guardado por muitos
Garou durante os anos as lendas contam qua a própria
Fênix mitológica gravou este glifo. O Registro parece ser
protegido e vigiado pela Fênix. Muitos o guardaram depois
da Fênix, cada qual acrescentando seus próprios glifos, suas
próprias idéias. Cada glifo é uma seção dos Registros. Esses
glifos contêm espíritos dentro deles, espíritos que ensinam
o significado dos glifos.
- Você mencionou Gaia. Ela não é a deusa grega da terra?
- Gaia é nossa palavra para a Mãe, a soma de toda a
criação. Tudo o que você vê aqui é Gaia. A Terra, o Sol, as
estrelas, os mundos, tanto aqui quanto na Umbra todas
essas coisas pertencem a Gaia. Todas são de Gaia, até mesmo
a Weaver, a Wyld e a Wyrm.
- E quem são? Quem é essa... Wyrm?
- Este glifo fala delas, Brian.
As Grandes, as Celestinas, eram três:
Wyld, a Metamorfa em constante mudança
Weaver, a Criadora que jamais cessa de fiar
e Wyrm, a Mediadora sempre ocupada.
Então a Weaver enlouqueceu
e caçou a Wyld,
e encurralou Wyrm em seu casulo.
Mas Wyld escapou.
Entregue ao desequilíbrio, Wyrm corrompeu-se.
Tornou-se Corruptora.
Sentiu apetite por criação
e abriu suas mandíbulas
para alimentar-se de todos em Gaia.
- O que isso quer dizer? que a Wyrm é a corrupção? É
um monstro ou alguma coisa do tipo?
- A Wyrm é, ao mesmo tempo, um monstro muito real e
um espírito poderoso que se manifesta de muitas formas. Os
vazamentos de lixo tóxico, as crianças que sofrem violência
ou abuso, os políticos que se envolvem em escândalos: todos
esses podem ser exemplos da presença e do poder da
Wyrm, embora o Mal humano costume igualar-se a todo
aquele criado por ela. A Wyrm é uma fera mágica que possui
o poder para apossar-se dos outros e, portanto, conceder-
lhes poder. Seu poder era grande nos tempos primevos,
e desde então os Garou travaram muitas batalhas com seus
soldados. A Wyrm está faminta e tenta devorar todos de
Gaia. Morte-no-Fim olhou pela janela. Está lá fora
agora. Esperando.
- O que aconteceu depois? Ainda estamos aqui. Por quê?
- O Registro prossegue. Gaia reage a todos os desafios,
ao seu próprio modo. Veja, aqui...
A Wyrm levantou-se sobre a Terra
Senti o vento gélido de sua sombra
E, como no Inverno, dormi.
Fui acordado rudemente por Luna
brilhando como seu irmão no céu
Venha, Luna disse, Traga um presente.
Nasceram os novos filhos de Gaia.
Fui até o local que Luna indicava com seu brilho
até as criações de sua irmã
e vi macacos que eram como lobos
e lobos que eram como macacos
e percebi que nada seria como antes novamente
E Luna disse Estes são os Garou de Gaia. Eles devem
protegê-la da Wyrm, que deseja alimentar-se dela.
Todos prestaram reverências a eles, pois eram os guerreiros
de nossa Mãe.
- Deixa ver se compreendi. Nós temos que sair e consertar
vazamentos tóxicos, limpar os rios e impedir o desmatamento
da Amazônia? Que nem o Capitão Planeta? Por causa
de alguma fera mitológica? Olha, sou a favor da conserva
ção do meio ambiente, mas...
- A Wyrm é muito real. Sua influência se faz evidente
em toda parte, e não apenas nos lugares óbvios. Descobrimos
que um Garou deve primeiro derrotar a Wyrm dentro
de si antes de ser capaz de combatê-la do lado de fora. Você
perceberá isso quando for submetido ao Ritual de Passagem.
- Aposto que também há um Registro Prateado para isso.
- Estes glifos falam sobre a Primeira Matilha, e o primeiro
Ritual de Passagem...
O Avô Lobo conduziu os filhotes de Garou
para a floresta e deixou-os lá
durante três luas, sozinhos
eles discutiram e lutaram entre si
mas quando os lacaios de Wyrm atacaram
eles eram uma só mente, uma Matilha.
A Primeira Matilha,
e mataram as criaturas malignas da Wyrm
- Então o Ritual de Passagem é como um tarefa de escoteiro,
na qual deixam você sozinho na floresta?
- Não, Brian. O Ritual de Passagem é uma provação.
Um teste da natureza da alma. Durante esse teste você irá
descobrir o seu ser interior. Deixará de ser um filhote, um
jovem, para ser um adulto, reconhecido como um dos Garou.
Receberá seu nome Garou.
- Como Morte-no-Fim?
- Sim disse o velho, sorrindo.
- E o que acontece? A Wyrm ataca você durante o Rito?
- Costuma envolver perigo, e o perigo nos fortalece.
Depois disso você é aceito como um novo Lobisomem. Aqui:
esta é a celebração da Primeira Matilha...
E então, Luna, brilhando por entre as árvores,
ordenou que lhes fossem ofertados seus Dons
Rituais:
Os filhotes, a Primeira Matilha,
receberam Dons das Cinco Direções
Do Leste veio a Tradição de Abrir Atalhos
Do Sul a Tradição da Fúria Ardente
Do Oeste a Tradição da Metamorfose
Do Norte a Tradição da Sabedoria
E do Cerne, Gaia concedeu aos Filhotes
pedaços Dela, para que eles os carregassem sempre em
seus íntimos
a Tradição de Gaia.
- O que são todas essas Tradições? O que elas significam?
- Nós Garou possuímos muitas habilidades mágicas, Dons
concedidos pelos Cinco Ventos. O Leste nos deu a tradição
de passar deste mundo para o espiritual a forma pela
qual cheguei até você em seus sonhos. O Sul deu-nos a
Fúria, que nos torna guerreiros terríveis e devastadores,
mesmo quando isso ameaça destruir-nos por dentro. Por
sorte, sendo um Philodox, você encontra grande equilíbrio
na Fúria.
- Do Oeste veio a Tradição da Mudança, a capacidade
de assumir muitas formas, incluindo a forma guerreira de
meio-lobo, a qual chamamos Crinos. Do Norte vieram nossas
Tradições da Sabedoria. As tradições da Sabedoria dos
Garou dividem-se em duas: nossos Dons e nossos rituais.
Os Dons são poderes mágicos; eles nos permitem desempenhar
feitos como obscurecer nossas formas e conhecer a Verdade quando a ouvimos. São segredos de Gaia compartilhados
entre aqueles que pensam igual. Os ritos são nossas
preces especiais para Gaia, embora sirvam também como
funções sociais. São nossa forma de nos relacionarmos com
o sagrado no íntimo de todos nós. Finalmente, do Cerne,
recebemos presentes da própria Gaia, aquilo que costuma
ser chamado Gnose.
- E essa história de Lua, de onde veio?
- Ah, os augúrios. Este glifo fala deles...
E Luna disse, Saiba que estes também são meus filhos.
Deu-lhes bela pelugem,
cada uma semelhante a uma das faces de Luna.
A Grande Luna, Luna do coração selvagem,
mãe da sabedoria,
mãe da arte,
mãe da loucura.
Aquela que possui muitas faces
- mas que mostra apenas uma por vez -
levou os Garou para a sua cabana de cinco paredes
e ensinou-lhes seus maiores talentos
os Dons interiores
E assim Cinco da Primeira Matilha,
Ahroun, Galliard, Philodox, Theurge e Ragabash
expuseram-se à luz da irmã de sua Mãe, e aprenderam
que seu poder e magia estava com eles.
- Como vê, para nós a Lua não é apenas um corpo celeste.
É o reflexo da beleza de Gaia. É a metamorfa suprema,
fonte de todo o mistério, mãe de todos os espíritos. Nós a
vemos como a Mãe de nossos Dons. Mas ela também é a
condutora da loucura, a criadora da Fúria.
- O augúrio não é apenas a fase em que Luna estava
quando você nasceu. Ele significa muito mais. Os Ragabash
são desbravadores das trilhas e das tradições; cruzam fronteiras
para que os outros conheçam seus próprios limites.
Os Theugers são conjuradores de espíritos e profetas. Os
Philodox são guardiões das Tradições Sagradas mediadores
e juízes. Os Galliards são Dançarinos-da-Lua, bardos
e cantores, os selvagens cujos uivos belíssimos cortam o ar
noturno. Por fim, os Ahroun são guerreiros de bravura, for-
ça e determinação infindáveis. Você é um Philodox, um
Meia Lua. Isto é quem você é, e ainda mais importante, o
papel que você desempenha entre os Garou.
- Então os augúrios são como signos do zodíaco?
- Não exatamente, mas quase isso. A forma como você
escolhe servir o seu augúrio cabe a você, mas lembre-se: o
Povo sempre o julgará segundo o seu augúrio. A tradição
dos augúrios é antiga, remontando até a Primeira Matilha.
- Então todo Garou deve a sua linhagem a um indivíduo
da primeira matilha?
- De certa forma, sim. Embora muitas tribos tenham se
originado daquela primeira matilha.
- Tribos? Como as tribos dos índios americanos?
- Sim, mas apenas 13 delas vivem atualmente em Gaia.
Três das primeiras tribos estão perdidas para sempre. Aqui,
o Vigia-dos-Lobos, outro guardião dos Registros Sagrados,
fala sobre elas...
Muitos anos se passaram
e os primeiros filhotes acasalaram com
lobos e humanos.
Suas linhagens cresceram fortes
e eles formaram muitas tribos.
Essas eram as tribos,
conforme foi dito a mim, Vigia-dos-Lobos.
Cada uma corria pelas florestas densas
e possuía suas próprias Tradições:
Os Presas-de-Prata, muito fortes, governavam a todos nós
com o apoio dos Senhores das Sombras e dos
Roedores-de-Ossos.
Os Fúrias Negras distanciaram-se de seus irmãos;
comandados pela Mãe,
cresceram em Fúria e Sabedoria
e se dividiram.
Então veio a Guerra da Fúria,
e muitos indivíduos do Povo seguiram os Wyrm-ursos
até seus esconderijos distantes no norte,
e assim nasceram a Cria de Fenris,
os Fianna, e os Uivadores Brancos.
- O que foi a Guerra da Fúria? Uma grande batalha contra
a Wyrm?
Morte-No-Fim suspirou.
- Foi uma época durante a qual perseguimos os outros
metamorfos do mundo, aqueles que assumem as naturezas
de outros animais. Os principais eram os Gurahl, também
conhecidos como homens-ursos. Eles nos negavam conhecimento
e mantinham relações com a Wyrm. Ou pelo menos
é o que diz o Registro. O nosso povo agora conta isso de
forma diferente, que fomos nós que agimos errado. Os ursos
estavam apenas mantendo remédios poderosos fora do alcance
de crianças rebeldes. Um período triste em nossa Hist
ória, uma época em que tomamos as decisões erradas. Deixe-
me continuar...
Alguns membros do Povo decidiram
empreender uma longa jornada
seguindo os Puros,
seguindo seus corações,
e atravessaram as vastidões geladas,
encontrando muitos povos numa nova terra.
Esses Garou eram os Croatan,
os Wendigo e os Uktena.
Mais tarde, floresceram cidades nas planícies
e alguns membros do Povo deram as costas para a floresta.
E a deixaram para viver entre paredes.
A esses chamamos Andarilhos do Asfalto.
Entre todos os integrantes do Povo houve uns poucos
que escolheram olhar para o céu noturno,
e sempre o faziam sozinhos,
mesmo quando reunidos em matilhas,
e denominaram a si mesmos Portadores da luz
e foram viver bem alto, nas montanhas
Sou um dos Filhos de Gaia,
nascido como lobo para meu povo,
que deram fim ao Impergium,
que fizeram paz com os humanos
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