LENDAS O GAROU
AS TRADIÇÕES SAGRADAS PARTE 2
- Pensei que os lobisomens fossem humanos que se transformavam
em lobos, e não o contrário.
- Os Garou podem nascer tanto entre lobos quanto entre
humanos. A linhagem de um Garou é conhecida como
sua Raça. Sim, os lobos precisam aprender a andar sobre
duas pernas como nós aprendemos a correr sobre quatro.
Além disso, existe outra raça, conhecida como intermediá-
ria, nascida de uma união proibida entre Garou. A esses
chamamos impuros. Nós os desprezamos por sua origem
torpe, mas, apesar disso, alguns impuros conquistaram grandes
glórias.
- E o que era o Impergium?
- Antes dos tempos da Suméria e do Egito, os membros
do Povo nomearam-se regentes e pastores da Humanidade.
Acreditavam que poderiam impedir que Wyrm devorasse a
Terra se proibissem a população humana de exceder um
determinado número. Foram aos vilarejos dos homens identificar
seus velhos e debilitados; escolhendo humanos para
abater, impediram a disseminação de sua semente pelas florestas
e terras sagradas.
- Os Filhos de Gaia foram Garou que resistiram aos anci
ões e lutaram para acabar com o Impergium. Às custas de
muito trabalho duro e sacrifício, conseguiram. Ouça agora
o último glifo das tribos...
Nossa tribo do sul, os Bunyip -
onde está ela?
Espalhamos uivos ao vento,
enviamos espíritos pelas ventanias
e nossos irmãos não responderam.
Os Bunyip estão perdidos para nós; desapareceram sem
deixar vestígios. Foram vítimas das artimanhas da Wyrm e
de nossa própria estupidez. Os Croatan, que seguiram os
Puros, morreram defendendo Gaia da Wyrm. Não resta ningu
ém dessa tribo.
Há outros entre os 13, como os Garras Vermelhas, lobos
que vivem isolados da Humanidade e a odeiam. Conhecemos
também os Silenciosos, que são peregrinos furtivos.
Costumam agir como nossos mensageiros e são capazes de
fazer profecias com uma precisão surpreendente.
O Registro menciona os Uivadores Brancos: a tribo que
nos desonrou, que fugiu de nós para o covil da Wyrm, para
dançar na Espiral Negra. Eles agora chamam a si mesmos de
Dançarinos da Espiral Negra, e servem à Wyrm de coração,
corpo e alma. Eu pertenço aos Wendigo. Você, meu filho,
aos Fianna.
- Se você diz, acredito Brian comentou. Só não
compreendo o significado de tudo isto.
- Você encontrará muitos tipos de augúrios, raças e tribos
na matilha à qual irá juntar-se.
- Matilha? Os Garou andam em matilhas? Como os lobos?
- Isso mesmo. A matilha é muito importante para nós.
Veja este glifo...
E, eu, Brancas-Patas-Reluzentes,
caí por terra, chorando,
pois minha matilha estava morta,
e sem ela não sou nada.
Nada faço com minhas patas,
ou olhos, ou braços, ou pernas,
ou pêlo, ou pele.
Sou incompleto, sou nada.
Minha matilha morreu.
Tudo que desejo é juntar-me a ela.
- Nossa! Esse aí exagerou no drama, hein? Brian comentou,
franzindo o nariz.
- Você nunca conheceu uma família de verdade, Brian.
A sua se dividiu, cheia de ódio, raiva, desconfiança e desarmonia.
Uma matilha é um fruto de Gaia, com vida e espírito
próprios. O espírito de uma matilha é chamado totem, e
existem muitos totens. O de minha matilha é Quimera, o
Narrador de Sonhos. O da sua pode ser Falcão, Coruja,
Coiote ou Fenris. Quem sabe? Existem tantos totens quanto
cabelos na sua cabeça.
- O seu vento... ele é um totem?
Por um segundo, o homem fitou Brian silenciosamente,
seus olhos buscando por um lampejo de lembrança, algum
sinal de que o ensinamento que havia passado ao garoto em
sonhos enfim estava emergindo.
- Não exatamente. Entenda, Brian, existem espíritos em
toda parte à nossa volta. Nesta casa, no solo, nas árvores,
nos rios. Até mesmo nas cidades. Existem inclusive alguns
Garou que falam aos espíritos dos computadores. Nos tempos
antigos muitos espíritos tinham medo de nós. Este glifo
fala disso...
Por onde andávamos
a floresta estava silenciosa,
os espíritos mantinham-se parados.
Estávamos sós, mas
Luna, nossa guia e protetora,
ensinou-nos como falar com os espíritos
nas línguas deles.
E falamos com eles,
falamos com seus Pais e Mães,
com seus Avôs e Avós,
seus líderes e sábios.
Convocou-se uma grande Assembléia de Espíritos.
Houve muitas orações para Gaia
e Pássaro da Noite, o não-lua,
convidou Águia para a reunião,
e os outros totens compareceram
para ouvir e falar na Assembléia.
Fizemos um tratado,
um acordo de paz,
entre os espíritos de Gaia.
Nunca mais iríamos caçá-los
sem penitência.
Em troca, prometeram-nos
que se os honrássemos em cerimônias
e dança,
atenderiam ao nosso chamado,
afiariam as nossas garras
e colocariam seu poder ao nosso dispor.
O espírito que você viu aqui, o espírito do vento chamado
Sussra, é um aliado espiritual meu. Eu o convoco quando
preciso de sua ajuda. Já trabalhamos juntos no passado, e
eu lhe dei de beber do manancial de Gaia que trago dentro
de mim. Ele é mais um amigo que um servo.
- Pensei que você tinha dito que são os Theurges quem
convocam espíritos. Como você conseguiu?
Morte-no-Fim abriu um sorriso. O filhote estava pensando!
- Conheço o Dom apropriado. Nem todos nos enquadramos
perfeitamente em nossos augúrios. Aprendi alguns
Dons aqui e ali, com as pessoas em meu Caern.
- Caern? Uma pilha de pedras?
- Caern são locais consagrados a Gaia. Nós os chamamos
assim porque alguns de nossos primeiros locais sagrados
foram monumentos mortuários. Mas os Caern significam
muito mais para nós. Este é o glifo que fala de um
Caern antigo...
Enquanto os que nos procuravam uivavam por nós,
galgávamos grandes distâncias,
passando por pedra, rocha e neve,
buscando um lar.
Subimos cada vez mais alto,
nossos olhos atentos para coisas sobrenaturais,
como hálitos ígneos
e silhuetas de asas de Wyrmling cruzando a lua.
Mas nossa busca chegou ao fim
na mais longa das noites.
Quando a lua crescente despontou,
sobre o pico mais alto,
à luz de Luna,
em terreno virgem,
nós clamamos alto por Gaia.
Uivamos por Ela.
Tínhamos encontrado nosso Trono prateado!
Nosso vale prateado
abrigava rios serpeantes e caudalosos.
Eram mais altas as montanhas prateadas,
e mais fortes os pinheiros seculares,
do nosso lar!
Dançamos e uivamos,
clamamos por Gaia na noite.
E quando a escuridão caiu sobre nós,
não temíamos mais o vôo do dragão.
Estrela, Pedra, Vento, Rio,
todos os quatro, as Luas Crescentes,
sacrificaram suas vidas naquela noite decisiva,
para conceder-nos seu Trono mais elevado.
Que uivem aqueles que recordam!
Solo sagrado,
longe da guerra contra a Wyrm,
Passagem para todos os caern de Gaia!
Isso descreve um dos caern mais antigos, a Seita da Lua
Crescente, na Rússia.
- Seita?
- Uma seita é um grupo de Garou que habita os arredores
de um determinado caern Morte-no-Fim fez um gesto largo.
Este lugar é o Caern do Vento Escondido, e nós somos
membros de seu clã. Veja bem, Brian, a seita governa os recursos
de um caern. Em tempos imemoriais, os dons de Gaia
foram desperdiçados em futilidades. A Wyrm nos enganou,
conduzindo-nos a uma batalha irracional. Perdemos muitas
guerras, e muitos caern foram profanados. E assim Gaia deixou
as pessoas reunirem-se em torno dos caern e governar a si
mesmos. Nós Garou possuímos muitas alianças.
- Estava pensando nisso. Com tantas coisas como matilha,
raça, augúrio, tribo e seita... como você sabe a quem
prestar lealdade? Adivinhando?
Morte-no-Fim sorriu. Esta era uma pergunta que o garoto
tinha feito antes, durante suas aulas oníricas. Um bom sinal.
- Não é preciso adivinhar. Na verdade é muito simples.
Há muito tempo atrás, o Philodox do Povo registrou as palavras
de sabedoria de nossos líderes num cântico. Chamamos
este cântico de Litania. Aqui, vê este glifo? Ele fala da
Litania...
Nos tempos antigos,
quando a escuridão governava a Terra,
o Povo dividiu-se.
Irados, guerrearam entre si,
e atacaram seus respectivos locais sagrados
Não houve paz.
Garou combateu Garou
e a Wyrm dividiu-nos um a um
e nos abateu.
Porém, a Sabedoria do Povo
era grande,
e os anciões do Povo
eram fortes.
Eles levaram seus filhos e os
filhos de seus filhos
a um novo entendimento.
Uma Grande Assembléia geral dos Garou
foi convocada
a Table Rock.
Vieram de todas as partes do mundo
e durante uma noite
foram apenas uma tribo,
e ali os Galliards cantaram a primeira Litania.
Do nascer ao pôr-do-sol
eles repetiram as palavras
até que todos presentes pudessem lembrar.
Apenas três feras, além de Lobo, foram autorizadas a ouvir.
Foram elas
Lagarto, que lembrou de cada palavra,
Corvo, que compreendeu cada palavra,
e Coiote, que possuía seu próprio parecer.
Dizem que nos últimos dias
Lagarto, Corvo e Coiote retornarão
para lembrar, ensinar e quebrar a Litania,
pois os Garou precisam ser tão duradouros e mutantes
quanto a Lua.
- Como os Garou vieram de todas as partes do mundo?
Correndo?
- Não, Brian, embora naquela época o Povo pudesse realmente
correr de um lado do mundo para o outro, pois as
terras eram mágicas e mais próximas. Mas não foi isso. Existe
um método de transporte entre os caern; este método é
chamado de Ponte da Lua. Já foram chamadas de Trilhas
da Lua, mas nós, membros modernos do Povo, as chamamos
Pontes, porque elas se projetam para o mundo espiritual
e retornam ao nosso. Elas são o meio que usamos para
viajar entre os caern.
- Pelo que entendi nem todos os Garou gostam uns dos
outros. É verdade?
- A mais pura, Brian. Muitas tribos travam lutas desnecess
árias, e os Ahroun estão sempre atacando alguém irracionalmente.
Isto ocorre devido ao dom da Fúria que trazemos
dentro de nós. Alguns dizem que foi a Wyrm que nos
concedeu a Fúria, para nos tornar nossos próprios arquiinimigos.
Certamente os Dançarinos da Espiral Negra são a
prova de que isto é, pelo menos em parte, verdade. Nós
perdemos o controle quando a Fúria se apodera de nossos
seres. Tornamo-nos máquinas assassinas, criaturas gigantescas
que usam suas garras como se fossem lâminas, movendo-
se mais rápido do que a visão pode acompanhar.
O velho agachou-se e abriu o forno. O calor da chama
atravessou a sala.
- É como o fogo, Brian. Você precisa fazer com que a sua
Fúria seja útil, e não destrutiva. É preciso aprender a contê-
la, não liberá-la de uma só vez. Se não aprender isto, a Fúria
irá consumi-lo.
O velho jogou outro cepo no fogo, e as chamas aumentaram,
rugindo como vivas.
- Foi isso que aconteceu... lá em casa... comigo?
Subitamente, Brian teve visões, lampejos de memória.
Seus pais, contorcidos e caídos no chão. A coisa negra, retalhos
de pele pendendo de seus braços deformados, rindo
para ele, sussurrando para ele. Lembrou da chama que ardia
em seu estômago e de como havia se movido, rápido como
o vento. De quem era o sangue em suas mãos?
- Foi o frenesi que salvou a sua vida Morte-no-Fim
esclareceu, meneando a cabeça. O Povo honrará você
por causa disso.
- Por quê? O que eu fiz? Brian estava tremendo, o
choque abalando as fundações de sua alma. Seus pais estavam
mortos! E ele não tinha podido fazer nada para salvá-
los!
Morte-no-Fim segurou a mão do garoto entre as suas.
Brian sentiu uma onda de calma atravessá-lo. A mão enrugada
do velho segurou os dedos jovens de Brian, e eles caminharam
juntos até a parede.
- Toque-os, Brian. Eles estão dentro de você. Toque-os
e conheça a verdade.
Arrependimento, dor
morte, corrupção.
A Wyrm avulta-se sobre nós,
não há nada que possamos fazer.
Armas disparam morte,
não há nada que possamos fazer.
Armadilhas prendem nossas patas,
não há nada que possamos fazer.
Arranque a dor.
Encontre os jovens,
observe sua passagem.
Encontre os jovens,
registre seus atos.
Os últimos dias serão deles.
Eles nos trarão
grande Glória.
Encontre os jovens,
ouça-os.
Encontre os jovens
escute suas palavras ecoarem.
Encontre os jovens
ouça-os falar.
Eles nos ofertarão palavras de sabedoria.
- Sim, palavras de sabedoria. Ouve a sabedoria dentro
de você, Brian?
- Parece... que estou acordando... aos poucos... como se
estivesse saindo de um sonho longo.
- Continue, Brian. Leia o glifo.
Encontre os jovens
antes que se percam.
Mostre-lhes os caminhos certos,
mostre-lhes a verdade.
Faça-os enfrentar a Wyrm.
Faça-os enfrentar a si mesmos.
Encontre os jovens.
Forge seus espíritos.
Faça-os crescer também em Honra,
Sabedoria, Glória.
Honra: grande reputação
por atos ainda maiores.
Na escuridão
nós os observaremos.
Quando o último Garou
estiver morto,
nenhum de nós dirá isso.
Gaia morrerá de solidão.
Nenhum de nós dirá isso.
Não haverá luta.
Daremos dentes
e garras aos inimigos que reinam
nas noites de Gaia
nos últimos dias.
Veja os últimos sinais,
veja o nascer
da Noite.
- Mas eu não fiz nada! Eles já estavam mortos. Meu pais
já estavam mortos! Por que isso me dá Glória?
- Você matou um Dançarino da Espiral Negra, Brian.
As suas presas são afiadas, e a tradição de seus ancestrais
flui no seu sangue. A Glória chega a você.
- Por que eles não gritaram? Por que não correram?
Lágrimas começaram a descer as faces de Brian. Ele se voltou
para o velho, apoiando-se nele. Enquanto chorava,
Brian sentiu uma muralha ruir em sua mente.
- O Delírio. Veja aqui...
Brian tocou o glifo, e as palavras fluíram, soltas, para a
sua mente.
Pecados originais,
pecados do orgulho,
trouxemos o medo da noite,
fizemos as mães esconderem seus filhos,
E as crianças esconderem seus velhos.
Eles observaram e esperaram,
sozinhos, em suas cavernas.
Os guerreiros lutariam,
e iriam morrer,
e nada deteria
o Impergium.
Trouxemos o medo-noite;
eles ficaram assustados.
Nasceram crianças e os filhos destas,
muitos invernos se passaram e nós
estivemos lá durante cada um deles.
Trouxemos o medo-noite
como cervos empalhados,
não podiam gritar,
não podiam se mover,
não podiam recordar
nossa passagem.
O Delírio
tomou-os também.
Agora ele se levanta,
sempre o medo-noite.
Os bípedes fogem aterrorizados
de nossa forma guerreira,
Crinos metade-lobo.
O Delírio
cai sobre eles.
Pecados do passado,
pecados do orgulho,
a artimanha da Wyrm.
Trouxemos o medo-noite,
vivemos entre eles,
mas sabemos que nós,
sempre isolados,
não podemos amá-los.
Não podemos ficar com eles,
sempre, sempre,
vem o medo-noite.
Brian estremeceu, não conseguindo mais conter as lá-
grimas. A porta da cabana se abriu, deixando entrar uma
rajada de vento. Era apenas Kate. O velho dirigiu-se à jovem
num tom de voz baixo, numa língua que Brian jamais
tinha ouvido.
- Eles estão chegando, Deathbear-rhya! Arrombaram a
divisa!
- Abrirei a Ponte da Lua para que você passe por ela,
Caçadora Implacável. Irei logo em seguida. Preciso incendiar
a cabana para que eles não se apoderem das informações
que ela contém.
- Não perderíamos muito conhecimento, ancião? Não
podemos deixar que tudo isto seja reduzido a cinzas!
- O conhecimento está no jovem Brian. Ele agora sabe
que os Registros estão guardados no seu coração.
- Como sempre estiveram Brian disse, olhando para
o velho. Em seguida começou a murmurar as palavras Garou
como se tivesse entrado em transe.
Fora da cabana, o vento uivou. Ouviu-se o canto de um
noitibó e, ao longe, uma risada satânica.
Morte-no-Fim caminhou até o centro da pequena cabana
e fechou os olhos. Murmurando suavemente, convocou
a Fênix, que era o totem do caern. O totem começou a abrir
a Ponte da Lua.
Maravilhado, Brian assistiu um globo opalino florescer do
chão. Observou-o crescer em tamanho até ficar maior que
Kate, enchendo a sala. Uma ventania forte soprou através
dele, uma rajada de ar morno e úmido. Kate pareceu zangada,
quase arrogante, antes de curvar a cabeça e caminhar para a
Ponte da Lua. Em seguida o globo encolheu e sumiu.
- Há mais uma coisa que você precisa aprender, Brian.
Como Guardião dos Registros, é seu dever acrescentar outra
marca a ele, registrando o que acontecer neste dia.
Morte-no-Fim fitou os olhos de Brian. O rapaz sentiu
um estranha necessidade de obedecer ao homem, como se
ele fosse um sacerdote.
- Você falará do dia que Morte-no-Fim morreu. Falará
de como ele ficou para trás para realizar sua última missão
para Gaia. Você escreverá este glifo nos Registros.
- Mas... eu pensei que você só fosse morrer no fim dos
tempos! Brian gritou.
Morte-no-Fim segurou os braços de Brian.
- Estamos no fim dos tempos, Brian! Lembra do Glifo do
Apocalipse?
Estes são os últimos dias.
Dias nos quais a Wyrm irá levantar-se
e seus tentáculos recobrirão o mundo
e Garou lutará contra Garou.
Dias nos quais os humanos irão caçar-nos
em estranhas criaturas da Weaver.
Dias nos quais a morte irá seguir-nos
como um urso faminto.
Conheceremos os últimos tempos,
quando o Povo não será suficiente
para cuidar apropriadamente dos caern,
e os filhotes perdidos morrerão
ou serão tomados pela Wyrm.
E muitas visões
irão realizar-se.
Guarde bem esses sinais.
Registre os últimos dias.
Eles estão chegando.
Estão chegando.
- Chamamos a isso O Apocalipse. Vivemos nossos últimos
dias. Quem sabe quando será a investida final da Wyrm?
Até lá, não podemos fazer nada senão esperar e continuar
lutando contra ela.
O vento sibilou do lado de fora; nuvens de neve obscureceram
as janelas. A cabana inteira rangeu ante a fúria da
tempestade.
- Os ventos estão mantendo os Espirais Negras afastados,
mas eles nos seguiram até aqui. Não há Garou suficientes para
defender este lugar. Devemos nos certificar de que a cabana
não cairá nas mãos deles. É por isso que ficarei aqui. Registre
o que acontecer! O Povo precisa do seu Glifo!
- Não posso deixar você aqui para morrer! Você é necess
ário. Precisamos da sua sabedoria.
- Agora você possui toda minha sabedoria, garoto. E ainda
mais, pois o sangue dos sábios corre em suas veias. Saberá o
que fazer quando o tempo chegar. Você será o último Guardi
ão dos Registros. Agora vá!
A Ponte da Lua abriu novamente por trás de Brian, mas
ele mal a notou. Ficou parado observando Morte-no-Fim
abrir latas e latas de querosene, derramando o líquido no
assoalho seco de madeira.
O velho esticou os braços para o teto. Seu corpo se dobrou,
deformou-se e cresceu, assumindo sua forma guerreira,
o Crinos. Isso teria apavorado Brian, se agora não lhe
parecesse tão familiar.
- Vá! E diga aos anciões que eu lhe dei um nome. As
pessoas o chamarão Morte-pela-Wyrm, pois os Registros só
cairão em seus tentáculos depois que ela tiver derrotado
todos os outros Garou.
Brian hesitou, suas mãos tocando as bordas macias da
Ponte da Lua.
- Vá, eu já disse! Eles chegarão a qualquer momento...
Ouviu-se um estrondo: a porta tinha sido reduzida a farpas.
Duas criaturas negras, com garras gotejantes e presas
amareladas, entraram na sala. Riam, riam como coisas enlouquecidas.
Estavam sedentas de sangue, e um fedor de
carne podre as acompanhava.
Brian, que tinha se virado para olhar para elas, subitamente
foi atingido por um golpe fortíssimo a forma Crinos
do ancião o empurrara para a ponte.
Guardem bem,
ó filhos de Gaia.
Eu entôo a canção de
Morte-no-Fim
Cuja força era superada apenas
por sua sabedoria.
Ele foi meu mestre,
antes de minha primeira Mudança.
Eu presenciei o fim
do último.
Vivemos os últimos dias,
ele me disse.
Ele morreu,
defendendo Gaia,
defendendo os Garou.
Todos somos seus devedores,
porque ele morreu
defendendo a Litania
e os Registros.
Guardem bem
ó filhos de Gaia,
pois meu nome é
Morte-pela-Wyrm.
A mim foram passados
os Registros.
Sou o último dos guardiões.
Mas não se esqueçam jamais de Deathbear-rhya
- Morte-no-Fim era seu nome -,
o Guardião dos Registros Prateados,
que morreu ardendo em chamas prateadas.